A Reentrada Shanti Shanti

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Chegou a reentrada, aquela altura do ano em que desenhamos mentalmente uma data de intenções e corremos para voltar a entrar num lugar qualquer. Pode ser que não saibamos bem que lugar é esse, provavelmente não estará muito distante da zona de conforto de cada um,  com sorte pode ser que lá cheguemos depois de um salto, plástico e majestoso, na escuridão. A parte que interessa é que a reentrada pressupõe que saímos primeiro. E a pergunta é: será que chegámos a sair?

Voltamos. A casa ao trabalho ao supermercado do costume.  As crianças estão entregues, elas também têm as suas vidinhas para tratar. Eu trato da deles e da minha, atando as pontas soltas do trabalho, e acabo o dia numa aula de Yoga. Como introdução, até esta semana tinha feito uma única aula de Yoga na vida. O professor era do estilo Hatha-core e terminei feita num armário Memphis. Totalmente inconsciente das minhas terminações, quanto mais do meu corpo todo, tive de acenar com a mão que ainda me valia e pedir-lhe encarecidamente que viesse desembrulhar-me.  O homem ajudou. Eu nunca mais me senti tentada a encarnar um molho de brócolos (mesmo com dézaine). Até esta semana. Enchi-me de coragem e lá fui eu estender o meu tapete e dar palmadinhas na minha almofada de Califa no ginásio mais bonito do mundo (lá do alto vê-se a Serra de Arrábida, como se estivesse mesmo debaixo do nosso nariz, é preciso dizer mais?). Fiz tudo “direitinho”, como dizem lá para o Norte, e até os exercícios de respiração – aparentes amendoins, mas na realidade bastante complexos – correram bem. E a flexibilidade, meu deus, a flexibilidade afinal não é mais que uma maneira de dar corpo à respiração. No fim da aula, a professora pediu-nos que nos deixássemos ficar, abandonados, na posição do morto (o nome é na razão inversa da energia que cresce. Os outros nomes são muito mais prosaicos – “mesa” – poéticos – “cegonha”- ou poderosos – “rei”.), e guiou-nos, digo eu, que me perdi, numa viagem às profundezas do relax. Grande apagão, para regressar de novo.  E isto sim, é reentrar. Céu e terra. Shanti, Shanti dizia ela, e nós, que queremos expandir tudo o que for possível, agradecemos em paz.

(na imagem, Carlton, do master Ettore Sottsass para a Memphis Milano, 1981)

 

 

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