A Festa de Achille

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Dom Achille faria 100 anos em 2018. Para celebrar, organizou uma festa de arromba. A incongruência no tempo verbal é propositada: acontece que os grandes não têm tempo para o tempo.

Na festa de Dom Achille, é possível que não se vejam bandejas de prata. Nem flutes de cristal, nem bolinhos empinados numa torre decrescente, nem guardanapos de linho empoleirados em mangas escovadas. É possível. O requinte é outro: o dos objectos anónimos que Achille Castiglioni (1918-2002) tanto amava.

Amava tanto, que os coleccionava e dispunha em estantes e prateleiras no seu estúdio, e levava-os consigo para as palestras que dava na Universidade de Milão, esperando, imagino, provocar o espanto e abrir alguns pares de estudantis pestanas.

Para festa, a Fondazione Achille Castiglioni (que os filhos criaram para manter vivo o legado do pai) convidou 100 designers a escolher 100 objectos para oferecer a Achille, reunindo-nos numa exposição, “100X100 Achille” que agora pode ser visitada no número 27 da Piazza Castello, em Milão, e depois se tornará itinerante.

O único requisito era que os presentes fossem criações anónimas, escolhidos pela maneira como funcionam e nos interpelam (engenhosa, inesperada, reveladora?), e não pelo facto de terem sido desenhados por este ou aquele. Que bom.

As curadoras, Chiara Alessi e Domitilla Dardi, enviaram convites aos 100 designers escolhidos, pedindo-lhes que os devolvessem depois de os transformarem num cartão de parabéns para Achille. Os postais foram dispostos numa parede, ao estilo de Castiglioni e fazem parte da festa.

É uma festa muito italiana, na verdade. A maioria dos designers convidados são de lá. Mas isso interessa pouco quando o que se procura é o anonimato que revela a essência dos objectos. Ainda assim, não dá para resistir. Na lista, estão lendas como Michele de Lucchi e Andrea Branzi, está Patricia Urquiola (que vai organizar uma exposição dedicada a Castiglioni a inaugurar em Outubro, dentro das celebrações do centenário) e Piero Lissoni (tesouras de podar bonsai), está a nova geração, muito bem representada, entre tantos outros, pelos Formafantasma, que escolheram uma lindíssima vassoura para presentear o mestre. Está Konstantin Grcic (peso de 1kg), estão os Bouroullec (poleiro para pássaros) e Naoto Fukasawa (luvas de jardinagem). Estão Jasper Morrison (agrafador) e Starck (agrafe). Estão a ver. Vou-me calar. Também há uma ratoeira (Ingo Maurer). E um espremedor de sumos (Maddalena Casadei).

A exposição fica até Abril, mas entretanto a abençoada Corraini já editou um catálogo onde está tudo bem guardado e arrumado, mesmo como se quer.

Quem for a Milão faça o favor de não falhar. É que é preciso aprender a ver depois de olhar.

E não é todos os dias que visitamos Dom Achille no Paraíso.

(o cartaz da exposição, aí em baixo, foi criado por Davide Soldarini (Casostudio). A exposição “100X100 Achille” é só uma das muitas iniciativas postas em marcha para festejar o centenário do nascimento de Achille Castiglioni (16 de Fevereiro de 1918), a par de outras exposições e reedições de peças icónicas que celebram a vida do grande, gigante, imenso criador)

Biglietti Auguri

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