Delay (Milan Design Week 19)

De Montemáximo a Milão são 20 horas de distância. 2107 quilómetros redondinhos.

(Bonito número)

Outra coisa é a distância real. Senti-la no corpo. O que acontece quando se acorda  no Alentejo e se adormece muito literalmente num letto da principessa na capital do stile (a minha queridíssima anfitriã, chamada Benedetta, tem três anos e um edredon do Frozen, com a Elsa ou a irmã, indiferente, e imensos flocos de neve).

Digam o que disserem, Milão é o máximo. Quando voltei, o senhor meu pai mostrou-se algo preocupado ao ouvir-me descrever, com admiração e entusiasmo, as fatiotas das Milanesas. Achou-me deslumbrada com a “globalização”. Tive de lhe explicar, como podia, que apesar do banho de estilo, da crosta, da superfície e tudo, o meu espírito crítico continuava intacto, a minha resistência ao “capitalismo verde” também. E havia muito verde, em Milão.

“Artificial Nature” por aqui. “Wood Mood” acolá. Ralph Waldo Emerson à espreita na aesop. “Broken Nature”, pátios silvestres, jardins verticais e glicínias, muitas glicínias, benditas glicínias da minha infância.

Agora, neste delay abençoado, revejo as fotografias de Milão e sinto-me outra vez desnorteada. Não sei por onde acabar.  Começar por onde. São 400 “eventos” num só guia. Milão não cabe num só guia.

Então, numa espécie de êxtase conformado, quase sigo o conselho da minha amiga C., que me deu imensas pistas, incrustou em imensos vernissages (merci, meu amigo S.), e trouxe imensos fragolini, e marimbo no blog e ponho tudo no Instagram. Quase. Como bem sabe a minha amiga C., #eunaosouumainfluencer e #estoumecagando.

Por isso, com a devida distância, o possível recuo, vou deixar aqui algumas impressões, e umas poucas reflexões, em modo telegráfico que os tempos não estão para outra coisa.

Pode ser que, ao contrário do que repete o adorado Velho do Restelo que me fez, sempre interesse a alguém.

Fila chique.

Pareceu-me ver Mr. Rams.

Dial 2 for English. Museo del Design Italiano.