Virgil em Veneza

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Virgil, o ano ainda não vai a meio, mas já posso dizer que foste uma das melhores coisas que me aconteceu em 2019. Não nos conhecemos pessoalmente, e se calhar até é melhor assim. Estivemos pelo menos umas horas ao mesmo tempo na mesma cidade, isso sei de fonte segura, muitíssimo bem informada, mas para ti foi hit and run, ou não fosses uma estrela a rasgar o céu. Subir a um palco, receber um prémio, agradecer com duas palavras breves, meter-se num carro paciente e rumar ao aeroporto. Ainda te esperámos no Bar Basso, true, mas foi em vão.

Virgil, tu és grande e se pudesse escolher alguém para entrevistar agora mesmo esse alguém serias tu. Djirecto, como diz a minha amiga B. que é portuguesa e nasceu em São Paulo e não sei se te conhece, porque passa a vida a trabalhar, mas quando ela parar vou-lhe mostrar o artigo que li na New Yorker e ela também vai querer conhecer-te, e entrevistar-te, apesar de estar sempre a viajar e nunca ter sonhado ser jornalista, nem blogger nem nada disso.

Virgil, we love you. Porque tu és americano, e preto, e amigo do Kanye West, e director criativo de uma marca fundada em Paris em 1854 no tempo de um Napoleão qualquer, porque os teus pais emigraram do Gana para o Illinois, porque nunca estudaste moda, porque és filho de uma costureira, porque gostas de Basquiat, porque ouves hip-hop, porque pões música nas horas, porque te apaixonaste por uma loira, porque te formaste em arquitectura, porque tens calma, porque parece que fazes tudo sem esforço, porque pegaste numas botas de cowboy e escreveste “Made for Walking”, óbvio, porque criaste uma marca chamada Off-White, porque estilhaçaste fronteiras, partiste preconceitos, inverteste expectativas, porque te dizes “maker”, porque acreditas, porque te estás marimbando.

E assim, Virgil, desembarcas em Veneza, num palazzo daqueles, numa loggia luminosa, numa exposição upa upa da galeria Carpenters Workshop, e eu acredito que o mundo pode ir mal mas ainda há esperança.

(DYSFUNCTIONAL fica até 24 de Novembro no Ca’ D’Oro, em Veneza, com projetos de Virgil Abloh, Maarten Baas, Nacho Carbonell, Mathieu Lehanneur entre muitos, muitos, outros).

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O bronze de Virgil AblOh La La

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Nacho Carbonell, uma floresta suspensa com ramos de cortiça portuguesa.

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Mathieu Lehanneur

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Studio Drift

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