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Um dia conheci um digital manager que mandava tanto que lhe chamávamos digital master, e ele percebia mesmo daquilo, posts, e influéncers e #hashtags, e melhores horas para postar, e microblogging e cross posting, e colabs, e todos os meandros da #vidavirtual.
Apesar de se mover no #meiodigital como peixe na água, o master é um tipo de carne e osso. Que se lambuza com um cherne grelhado acabado de pescar e bebe imperiais com os amigos de baixo do Sol de Inverno. Que se ri e dá beijinhos na mulher. Quero dizer, ele está no mundo.
Não dá muito para fugir, porque é o mundo que temos, mas este digital master é capaz de ser um bocadinho diferente do resto dos
ContentCreatorSocialMediaStrategistDigitalManagerHeadofContentConsultant
o que me deixa breathless, branded and bewildered
e me leva a pensar no que faço, sendo que o que faço, apesar de não ter encontrado melhor designação que “copy and content” (aaaaallitération) é simplesmente:
ESCREVER
Uma assinatura (ou tagline)
Um about
Uma história
Um post
Um website
Uma folha de sala
Uma descrição de produto
Um texto para um rótulo
Um texto pago por uma marca num jornal
Um texto pago por um jornal num jornal
Uma carta de apresentação
Uma micro-narrativa
Um anúncio de airbnb
Um poema
Um haiku modernito
Um romance
E isto é #escreverescrever
(já disse que também fazemos traduções? adaptações?)
O que não é, é “content”. Content só é bonito quando lembra um contentamento descontente.
Não gosto desta palavra porque parece que a forma está divorciada do conteúdo e isso para mim não tem sentido. Bem sei que o que para mim tem sentido ou não interessa muito pouco, mas não podia deixar de partilhar (outra palavra esvaziada de sentido) isto aqui. Parece que estamos para aqui a encher chouriços (com conteúdo) e há que resistir.
Em tudo o há que resistir, menos no amor.
(texto originalmente postado no eshtagrã, entretanto extirpado de gralhas, dedicado aos meus queridos familiares e amigos resistentes que não estão nas redes sociais e não percebem muito bem o que eu faço.)
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