Pretziada: Histórias de Uma Ilha

Ivano quer saber porque é que há tantas moscas à minha volta.

Depois de enxotar o embaraço (desde quando se vêem moscas no Zoom?) respondo que as moscas fazem parte da vida campestre. Já nem reparo nelas. Ou reparo, mas aceito.

Agora, rodeada de moscas, sou eu a fly on the wall.

No dia da entrevista estamos no princípio do Outono, o Sol ainda bem alto e bem quente. O meu escritório abre para o pátio, e no pátio há uma videira que começa a desmaiar. Também há uma nespereira. Também há duas laranjeiras (uma decorativa, outra amarga, ambas intragáveis excepto em versão compota) e um limoeiro rachado que apesar de tudo insiste em dar limões. Há um quintal, o domínio do meu cão, e ervas loucas a despontar por todo o lado, entre as pedras, nas escadas, rompendo paredes. E musgo nas zonas mais sombrias do muro. 

Ivano quer saber porque há tantas moscas e eu respondo que deve ser do tempo. Tecnicamente é Outono, mas na verdade é o fim do Verão. 

Ele tem duas perguntas para mim e antes que eu lhe diga que para além das moscas, lá fora também há caracoletas gigantes e gafanhotos audazes e muito provavelmente minhocas à espera da chuva como das águas de Março, Ivano quer saber porque é que eu tenho uma coroa tatuada no pulso.

Isso fica para o fim.

Uma ilha é um ponto de partida. Pretziada é narração e investigação à volta de um pedaço da Sardenha.

O que me intriga é a quantidade de coisas perceptíveis através da câmara do Zoom, esse antídoto para o isolamento que na verdade de antídoto tem pouco, porque não tem cheiro, nem toque, o que é uma tristeza em qualquer circunstância. 

Mas tem olhos. Vê moscas em que já não reparo. E tatuagens praticamente invisíveis.

Eu digo que uma das vantagens de viver no campo é que as moscas deixam de ter importância. Quero dizer, diluem-se no fundo. A menos que nos pousem na sopa, evidente. Ou que andem em loop à volta do candeeiro, quando tentamos ler sossegadamente. Mas de resto, se não me chateiam eu também não as chateio. Deixo-as estar.

No campo as estações são muito mais salientes, e os bichos em geral muito mais pacíficos. Não estou a pensar nas vacas do Montado, lógico. Sempre uma ameaça apesar da sua calma bovina. Mas é preciso compreender as moscas. Para ilustrar a minha ideia, aproximo a câmara do dragoeiro e mostro a mosca a balançar numa folha, num belo banho de sol.

Ivano e Kyre devem estar a vê-la, do outro lado do fio inexistente. O Zoom traz-me a imagem do casal, sentados lado a lado no estúdio onde fazem parte do seu trabalho, com uma parede tosca de tábuas de madeira nas costas. Apesar de viver na parte mais remota da ilha, Kyre passou baton vermelho, e isso é óptimo sinal.  Ivano e Kyre são um casal exuberante no melhor sentido. Ele italiano (de Milão), ela americana (da Califórnia), ele ligado ao grafitti e à arte contemporânea, ela set designer, trocaram Nova Iorque pela Sardenha há alguns anos, à procura de quê, vamos saber.

São os fundadores da Pretziada, um estúdio criativo que descobri em Milão pela mão do meu amigo Sam e que nunca mais esqueci. Através de palavras, imagens, e objetos que unem artesãos locais e designers internacionais, criam-se narrativas novas e trajetórias futuras. Possibilidades. Esta é a entrevista telecomunicante, nos tempos de cólera.

Kyre Chenven e Ivano Atzori, da Pretziada

Playtime (PL): Há cinco anos vocês fizeram esse movimento de deixar a cidade e ir viver para o campo. No vosso caso, foi bastante radical, de Nova Iorque para a Sardenha. É uma coisa que muita gente faz – eu própria o fiz – e cada um tem as suas razões. Qual foi a vossa motivação?

Kyre (KY) : Acho que no início a nossa motivação foi uma motivação que muitas pessoas partilham, que era a sensação de não estarmos em contacto com o mundo com o qual queríamos estar em contacto. Sentiamos que na cidade havia uma falta de controlo enorme sobre muitas coisas nas nossas vidas, sobre quanto queríamos trabalhar, sobre o que gostaríamos de fazer, sobre o que é que gostaríamos que rodeasse os nossos filhos. E esta foi a motivação simples, que muita gente tem. Mas aquilo que muitas pessoas que nunca saíram da cidade não percebem é que não vais trabalhar menos, ou com menos intensidade, e que no campo irás viver um tipo diferente de isolamento, diferente do que existe na cidade, onde há muita solidão, claro.

Acho que muitas das coisas que reconhecemos que hoje nos fazem felizes, coisas que tornam a nossa vida feliz, ter-nos-iam surpreendido naquele tempo.

PL: Por exemplo?

KY: Parece-me que há um nível filosófico em que reconhecemos que estar em certos círculos urbanos não é um propriamente estar num lugar saudável e humano. Eu adoro a cidade e adoro passar dias e semanas na cidade, mas há um certo nível em que reconhecemos que há algo de quase inumano nos ambientes que criámos para viver. E isso foi algo que nos levou bastante tempo a reconhecer desde que chegámos.

Ivano (IV): Eu estou muito entusiasmado por viver no campo, mas também reconheço que não nasci no campo. Por isso, vejo as coisas de uma maneira completamente diferente de alguém que tenha nascido aqui. Eu vim para cá com uma bagagem de experiências que me permite ver tudo de uma perspectiva diferente. E essa perspectiva acontece porque não sou daqui. Viver no campo é muito entusiasmante. E o que mais me entusiasma é basicamente poder decidir como vou usar o meu tempo livre.

PL: Claro. Mas eu gostava de romper um bocadinho o estereótipo. Porque quando pensamos na vida no campo temos esta ideia romantizada que tudo é maravilhoso e tranquilo, mas não é só isso. Eu adoro viver no campo, e imagino o contraste entre Nova Iorque e a Sardenha, mas na verdade não sobra assim tanto tempo para o ócio, verdade?

IV: Pode ser igualmente caótico (a fucking mess). Nova Iorque é sem dúvida mais barulhento – e isto não é um pormenor, é uma coisa que me incomoda muito, estar num ambiente cheio de barulho

KY: posso acrescentar uma coisa? Barulhento não tem só que ver com som. Barulhento é demasiada informação, inputs constantes…

IV: Sim, podem ser sinais, pode ser não controlar como vou gastar o pouco dinheiro que tenho, pode ser o barulho da rua, pode ser não conseguir ler uma página de um livro sem ser interrompido com mais informação… Mas por outro lado, o campo tem um silêncio muito profundo, que também pode ser perturbador.

Tapete da Pretziada Studio

PL: Concordo. Verdade.

IV: Há tantos exemplos. Uma vez encontrei uma cabra morta no esgoto. Que seria algo totalmente impossível na cidade. Há toda uma parte da vida com a qual tens de aprender a conviver, e isso não acontece na cidade porque há sempre alguém a resolver as coisas por ti.

Por isso aqui há uma espécie de apreciação mais completa da vida, porque somos confrontados com coisas que na cidade simplesmente não vemos.

PL: A vossa mudança foi bastante radical. Foram viver para a parte menos turística da ilha. Bastante dura. Como é que as pessoas à vossa volta reagiram e como foi o primeiro impacte ao chegar à ilha?

KY: Foi um bocadinho mais lento que isso. Nós fizemos a mudança por degraus. Nova Iorque – Milão, depois Milão – Toscânia, e finalmente a Sardenha. Acho que as pessoas em geral acharam muito louco e corajoso fazer isto. Tanto a nossa família e amigos como as pessoas daqui. Voltando à ideia de não romantizar a situação, acho que vivemos um momento em que podemos fazer tantas coisas a partir de tantos lugares, quando antes seria totalmente impensável… Mas também foi muito revelador para nós perceber que estas ferramentas que temos ainda só estão acessíveis a uma percentagem muito pequena da população. Não sei como é aí onde vives, mas nós chegámos aqui claramente com um conjunto de ferramentas que nos permitem estar em contacto com os centros urbanos onde estão as pessoas que podem estar interessadas em ser nossos clientes. Mas isso não é para todos. Mesmo a ideia de trabalhar digitalmente está super romantizada e há imensas limitações para as pessoas que vivem em áreas rurais. Por isso para mim uma das grandes tomadas de consciência foi perceber que estar fisicamente presente na Sardenha ainda é um handicap, mesmo que queiramos pensar o contrário, e que o nosso mundo está aberto e conectado. Mas há um fosso entre nós e as pessoas daqui no que respeita a essas ferramentas digitais.

IV: Temos mais consciência da direcção do mundo ocidental. Tínhamos uma ideia muito clara da direcção em que a nossa geração estava a tentar ir, da perceção da beleza, ou de como lidar com a distância física…

KY: E também das coisas de que sentimos falta. Pretender que uma pessoa que vive num ambiente rural perceba as necessidades de alguém que vive no centro de Londres é totalmente irrealista.

PL: A primeira vez que encontrei a Pretziada foi numa exposição em Milão, onde havia peças belíssimas que juntavam artesãos e designers. Mas a Pretziada é muito mais que isso. É uma relação entre passado e futuro, e também uma relação entre artesãos e designers fundada na horizontalidade. Porque todos estão ao mesmo nível, olhos nos olhos. 

IV:  Estou tão contente que tenhas feito essa pergunta, porque és a primeira pessoa, desde que começámos, que fala dessa linha horizontal. Isso para nós é tão óbvio e importante. E nunca ninguém quer saber. Portanto, passado e futuro é sem dúvida fundamental, especificamente para um território como a Sardenha, porque falamos sobre camadas de intervenção. A cada cem anos, alguém chegou à ilha e acrescentou alguma coisa, para o bem ou para o mal. Por isso a tradição não está cristalizada, muda com o tempo, e a Pretziada está a fazer o que os Fenícios fizeram há três mil anos, é basicamente o mesmo.

Chegamos à ilha com mais um input, com um olhar de fora, e tentamos usar o que está disponível no território acrescentando-lhe alguma coisa, mas sem transformar ou apagar completamente as raízes que lá estão. Queremos continuar o que existe na ilha. 

Quero dizer, nós gostamos da globalização. Eu sou daqui, a Kyre é americana, os nosso filhos são o fruto deste mundo louco. Mas para mim a Sardenha tem de manter algo que é intocável, sólido. Mas nós podemos acrescentar alguma coisa, mantendo o que lá está. Porque muitas vezes a vontade do designer, ou o projeto, vai apagar o que historicamente lá está e é importante. E aqui voltamos à ideia de linha horizontal. Nós temos uma enorme responsabilidade enquanto Pretziada, de manter o equilíbrio certo entre território e criatividade, essa nova camada que queremos acrescentar. Caso contrário, tudo vai parecer igual, seco, clean, suave. Nós temos a responsabilidade de continuar uma coisa que já existia antes de nós.

Marria, colaboração entre Valentina Cameranesi Sgroi e Walter Usai

PL: Uma das coisas de que gosto na Pretziada é a maneira como vocês olham para as coisas, e levam muitas vezes a ligações improváveis, inesperadas. Por exemplo lembro-me de um post que fizeram sobre um doce regional que parecia um bordado.  E essa história levou-me a pensar como é importante sermos delicados, olharmos atentamente para as coisas, e pormos amor nas coisas que fazemos. Como é que a Sardenha ainda vos surpreende?

KY: Pode soar um bocadinho piroso, mas acho que é um pouco como quando gostamos muito de alguém, e quanto mais tempo estamos com essa pessoa, e a conhecemos, mais nos surpreende, mais gostamos dela. Ou mesmo individualmente, quanto mais vivemos e mais nos conhecemos e percebemos as nossas dúvidas, e questões, e talentos, mais nos surpreendemos. Em relação à Sardenha, sinto que estamos só no começo, a arranhar a superfície. Que poderíamos fazer isto anos e anos e se tivéssemos uma equipa de 20 pessoas a trabalhar, iriamos continuar a descobrir coisas. Acho que isto tem que ver com o facto de termos escolhido um tema muito específico que realmente adoramos, e com o facto de estarmos numa ilha, onde as pessoas nos surpreendem sempre.

Cadeira Lia, Chiara Andreatti, Su Maisto de Linna

PL: Como é viver na ilha?

IV: Toda a Sardenha é turística. Depende do turismo de que estamos a falar. Nós vivemos no Sudeste da ilha, o sul profundo, que é uma das áreas mais pobres da ilha e da Europa.

KY: Isso é tão importante. Podes ver no mapa onde estamos. A vila onde estamos tem ido esmorecendo. Todas as pessoas novas têm de se ir embora se querem encontrar trabalho. Para nós, esta localização é muito importante.

IV: É uma ilha de contrastes. Também vivemos num sítio onde existe um dos melhores vinhos tintos do mundo.

PL: Têm muita sorte!

IV: E algumas das praias mais bonitas da Europa. Mas há uma falta de visão e esperança. As pessoas nem sentem a necessidade de mudar. De tornar este lugar mais “próspero”. Nós é que vimos do mundo da estética. Nós é que estamos obcecados com a beleza. O resto do mundo não pensa assim.

Uma das coisas boas de ter vindo para a ilha é que estava obcecado com a estética e a perfeição e estas pessoas ajudaram-me a relaxar um bocadinho, e a ver beleza noutros sítios. Numa banheira no meio do campo que as ovelhas usam para beber água.

PL: Também temos isso aqui. Vou mandar-vos uma fotografia.

IV: E quem diz isto, diz um par de sapatos muito usado, com uma energia, uma história. Isto é muito cinematográfico. Mas a maioria das pessoas no mundo vive desta maneira. Não está preocupada com uma etiqueta numa garrafa de água com gás. No fim de contas, todos queremos vender alguma coisa. Um tomate ou uma estadia num hotel. Por isso a estética é importante. Mas do outro lado temos a coisa real, verdadeira. Precisamos de combinar as duas. Esta pandemia é uma grande oportunidade para fazermos isso.

PL: Estive a ler o manifesto para o design de Enzo Mari e ele começa por dizer que o bom design é sustentável. Isto foi há muitos anos, claro. Hoje a sustentabilidade transformou-se numa commodity, numa palavra vazia. Mas é ainda mais urgente. Como é que vocês vêem a sustentabilidade? 

KY: Totalmente de acordo, tornou-se uma palavra vazia. Há coisas que podemos controlar e outras que não podemos controlar. Temos que saber a diferença. Para nós, a sustentabilidade começa com o pensamento inicial de não fazer nada que depois vá ser deitado fora. Uma das ideias por trás da nossa colecção é que possa durar o mais possível, porque trabalhamos muito para criar novas oportunidades e uma economia real para as pessoas que trabalham connosco. Os nossos artesãos e os nossos designers têm de receber a mesma energia que estão a pôr no projecto, e isso é um objectivo a longo prazo. Nunca vai ser imediato. Todo o processo é pensado para ser o mais sustentável possível.

Quando escolhemos os materiais, pensamos nos que são mais lógicos, mais locais, mais limpos. Mas também há coisas tão básicas como pagar às pessoas a tempo, isso também é ser sustentável. Criar uma comunidade saudável.

IV: A sustentabilidade é um tema muito complexo e vasto. Mas demos alguns passos muito importantes. Significa apoiar as pessoas locais, os materiais locais, mas também usar tintas sem chumbo, ou embalar as nossas peças com jornais usados daqui. Claro que um jarro que sai daqui para os Estados Unidos não tem sentido hoje? Não. Mas enquanto Pretziada não posso mudar isso.

KY: Desculpa, mas na verdade não concordo.

IV: Thank god!

KY: Quando eu digo separar aquilo que podemos controlar daquilo que não podemos controlar é mesmo isso. Eu não estou a mandar garrafas de água para os Estados Unidos para as pessoas poderem beber água da Sardenha, enquanto eu aqui bebo água americana. Mas se eu estou a mandar um jarro, que tem uma história, que tem um significado, que tem pessoas por trás, ceramistas que fazem uma peça com tradições que estão na família há cinco gerações, não estou a mandar só um jarro.  Se fosse só um jarro bonito, e a pessoa se fartasse ao fim de três meses, então seria outra coisa. A história das embalagens em papel de jornal fez-me rir, porque é verdade. A nossa energia vai toda para criar estas colecções e interagir com os artesãos e os designers. Por isso mandamos as peças em caixas mesmo feias e velhas, embrulhadas em papel de jornal, porque não queremos pôr energia numa coisa que vai para o lixo. Por isso reutilizamos. Tivemos que explicar isto aos nossos clientes.

Langiu, de Sam Baron, cerâmica de Walter Usai

PL: Para quem está de fora, os textos que publicam no website são talvez a parte mais visível do vosso trabalho de tradutores culturais. Constrói-se uma narrativa, e os textos são muito bons de ler e as imagens de ver.

KY: Os textos são meus e as imagens são do Ivano. Isso é um aspecto muito importante para nós. E insistimos, mesmo pensando que ninguém tem tempo para ler. Essa narrativa, tem que ver também com aquilo que dizíamos há pouco sobre enviar uma peça para o outro lado do mundo. Estamos literalmente a enviar histórias de uma ilha. Isso acontece de forma muito natural para nós: contar as histórias por trás do que fazemos.

IV: Isso porque sabemos que o grande fascínio é a história. O grande desafio é manter a história de um lugar e acrescentar uma coisa contemporânea. Sempre que fazemos uma coisa perguntamo-nos, a cada passo, “porquê?”. Porque é que é importante, porque é que é necessário. O mais desafiante é esse aspecto de preservar.

KY: Acho que neste momento tão emocional que vivemos no mundo inteiro, com tanta gente a sentir-se mal, é mesmo importante este aspecto de fazer coisas não só belas, mas um bocadinho mais difíceis e inesperadas. 

A oficina dos Fratelli Argiolas

PL: Estão a preparar muitas coisas, qual é a próxima?

IV: Estamos quase a lançar um projeto com Andrea Branzi. Como ele não podia vir até à ilha, fizemos a residência em Milão. Levámos materiais, livros, testemunhos, ao estúdio dele, e foi lá que trabalhou na coleção. 

(Entra Bruno que está na ilha há quatro anos e ajuda com toda a parte gráfica da Pretziada. A mulher, Martina, fez o bolinho que adorei).

KY: A nossa equipa é muito mista (motley crew). Trabalhar com o Branzi realmente foi uma honra, porque ele é um designer tão revolucionário. Mas para nós o mais fascinante é pôr este material nas mãos de outras pessoas e ver o que fazem. Foi diferente para nós porque normalmente não fazemos edições limitadas, para poder beneficiar as pessoas que trabalham connosco de forma recorrente. Mas claro que Branzi é diferente. Por isso ele fez 15 esculturas, todas diferentes, com pedras locais. São esculturas de ferro feitas pelos Fratelli Argiolas que já tinham trabalhado connosco.

IV: E também temos um novo projeto com o Studio Pepe de Milão. 

KY: Sim, e para nós foi uma grande surpresa porque encontrámos outro artesão que não conhecíamos. 

IV: Este trabalho envolve pedra e bronze, e ele usa a terra como molde. A terra é o negativo, e ele enche esse molde com bronze. É lindíssimo. É uma técnica muito antiga que ele investigou e agora põe em prática.

A Sardenha é uma caixinha de surpresas. Mesmo quem não tem panca por ilhas, quer pôr-se ao largo e zarpar. Agradeço a conversa, combinamos que vão enviar as fotografias, e aí Ivano diz: Tenho duas perguntas para ti. Uma é a das moscas. Recomenda-me aquelas serpentinas com cola “really disgusting but really efficient”. A outra é sobre a coroa que tenho no meu braço. Explico que é a coroa de Basquiat e que simboliza a celebração e a felicidade, um selo de empoderamento. Já me disseram que se calhar a tatuei porque me falta confiança. Ele responde que também tem uma coroa tatuada, mas é pela razão oposta. Afinal, mesmo nas nossas histórias privadas, todos somos cultural translators.

Fotografias da Pretziada

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