Coup de Bey

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Beirute estalou no ano em que eu nasci e começou a sossegar no ano em que a minha mãe levava a minha irmã na barriga. Talvez isso explique a ligação umbilical que senti assim que pus um pé na cidade. Talvez não passe de uma coincidência forçada, engendrada para explicar o inexplicável, um amor rompante, sem aviso,  coup de foudre, coup de Bey.  É possível que para compreender uma cidade desconhecida seja preciso comê-la, mastigá-la, digeri-la nos sucos da nossa própria biografia, e assim, mesmo num plano fictício, torná-la nossa, autobiográfica.

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Coisas para fazer antes que o Verão acabe (e um bocadinho depois)

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Antigamente os filósofos praticavam o desapego, hoje não é bem assim. Li esta semana um texto bastante inspirado de Tom Hodgkinson, fundador da revista The Idler, em que, a propósito das manifs francesas destes dias, contrapunha o desprezo do presidente Macron pelos “fainéants” – os que não fazem a ponta – ao lifestyle de Sócrates (o grego), e Diógenes que “não faziam muito mais que conversar com as pessoas no mercado”. E não cobravam por isso.

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Uma Família de Flâneurs no Walk & Talk

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Não sei o que levaria para uma ilha para além dos meus amores, mas dos Açores volta-se sempre de alma lavada. Tanto azul, tanto verde, e a minha favorita: a pedra vulcânica, negra, granulosa, que tão intensamente e a seu gosto recorta o mar.

Cada fim é sempre um princípio e por isso voltamos na esperança que desta vez seja de vez.

Nunca é.

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Porto Pauer

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Cheguei ao Porto com uns dias de abánço, a destempo dos European Design Awards (que juntaram todos os vencedores das anteriores edições pela primeira vez no mesmo ponto: Porto) e ainda antes do anúncio mais abençoado: em 2019, o Porto terá a sua Bienal de Design. Comme il fault.

São boas notícias. Sérias.

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OH la la (Open House Lisboa)

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Todos devíamos agradecer imenso à Trienal de Arquitectura de Lisboa por todas as coisas boas que faz pela cidade. A sério. Uma delas, muito recente, foi organizar em Lisboa, no CCB, uma conferência com Paul Ghirardani, director de arte da Guerra dos Tronos, a série que reconciliou muito boa gente com a têbê e introduziu Jon Snow nas nossas vidas. Nós até podemos ser como o bastardo, e não saber nada, mesmo nada (de arquitectura), mas à sexta edição do Open House Lisboa – 23 e 24 de Setembro – não temos outra hipótese senão abrir a pestana, e o coração, para os espaços mais especiais da cidade, que nos recebem de braços abertos.

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Nowhere é aqui

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Estivemos lá e o pianista estava a almoçar. Sentado à frente de uma janela, a olhar para o lago, mastigava devagarinho com cara de poker. Já o tínhamos visto de fora, enquanto dávamos a volta à casa de cortiça que Ricardo Jacinto criou como “residência temporária” para o pianista Marino Formenti. 

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Lisboa é Dylan

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Diz que Lisboa foi eleita “Best City” pelos iluminados da Wallpaper. Diz que o júri era composto por pessoas muito respeitáveis, como a arquitecta Amanda Levete, o escultor Tom Sachs ou os meus queridos Bouroullec.

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Maata-me mucho

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Uf. Que sossego.A semana passou a correr entre festividades várias: as minhas, que a idade não perdoa, e as públicas, com a inauguração do maat, que foi uma espécie de casamento cigano modernito. Nada contra, mas que esta história interminável deve ter sido uma canseira, deve. Entre os muito VIPS, a imprensa, os só um bocadinho VIPS e a plebe, foram dias e dias dedicados a abrir qualquer coisa que ainda nem sequer está completamente pronta, o que é sempre original. E naice.

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Promenade

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El campo, ese lugar donde los pollos se pasean crudos” é a frase que mais tenho repetido para mim ultimamente. Aparece assim, sem avisar, como uma galinha descabeçada, a interromper-me as meditações. Li-a há uns tempos numa entrevista a Eduardo Souto de Moura, em que o arquitecto citava Julio Cortázar falando a propósito de Verdes Anos e da relação entre a cidade e o campo que o filme intercepta.

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