O génio sem filtro e o filho da mãe

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Há umas semanas vi o filme de Nick Willing, Paula Rego: Histórias e Segredos.

Não escrevi no momento, porque me faltou o tempo, ou talvez até pela razão inversa: porque me sobrou o tempo, e assim deixei-me estar. Não sei se terá alguma coisa que ver com esta obsessão contemporânea com a lentidão

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Mulheres do Mar (Ama-San)

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(Os senhores da Terra Treme deviam estar furiosos comigo. Com razão. Até a mais dócil das paciências tem limites. A deles, apesar do nome, não parece ser muito dada a erupções. Passaram dias, semanas, meses, desde que encomendei o poster. E dias, semanas e meses passaram sem que fosse buscá-lo. Uma serigrafia linda, com design ilhas studio e impressão lavandaria. Finalmente fui. É a 46/50 e está a meio do corredor, a espreitar-me quando meto a chave à porta. Estou em casa.)

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Todos ao Doc

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Ainda estou às voltas com 95 and 6 to Go, de Kimi Takesue, um dos filmes em competição na 16ª edição do DocLisboa. A realizadora acompanhou o avô, um imigrante japonês nonagenário no Hawai, ao longo de seis anos. O avô tem 95 anos. Faz flexões, alongamentos da coluna, colecciona “coupons”, e come, come bastante. Pelo meio, diz coisas tão bonitas e tão certas como “You should get a job”

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Andersoniana

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Mais um para a colecção de Andersoniana. Depois do delicioso Tumblr Wes Anderson Palettes, perdemos-nos com gosto nos micro mundos que a artista catalã Mar Cerdà construiu com amor à volta dos filmes de Anderson.

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Super 8

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Há uns dias ouvi da boca de um padre uma descrição sobre a diferença entre nostalgia e saudade. A saudade (de algo ou alguém que já não está) manifesta-se como uma presença. É por isso que é boa. Quando sentimos saudades de alguém de quem gostamos, sabemos que não estando – já, ainda –  está sempre connosco. A saudade é uma permanência. Uma proximidade e um aconchego. Uma presença capaz de fintar a própria morte.

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Tout Tati

icon-14tati_par_doisneauSou pouco partidária de obrigações, mas no caso de Jacques Tati abro uma excepção. Parece-me que devia ser obrigatório ver os filmes de Tati a partir da mais tenra idade. Na escola primária, quando fosse. The sooner, the better.

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Birdman (do amor)

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Não é por acaso que nos créditos de abertura do novo filme de Alejandro González Iñárritu, Birdman, se acende, letra por letra, a palavra “amor”.

O amor, ou a insaciável necessidade que todos temos de ser amados, é o tema do filme, como é o tema de quase todos os filmes, afinal.

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Monsieur S.

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Mad ama Wes ama Stefan. Isto é uma hyperballad, palavras para quê?

Às voltas com Stefan Zweig, um burguês judeu vienense fin-de-siècle, psicoanalítico e passionate.

A ler “La confusion des sentiments et autres récits“.

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Ozu (há uma latinha que separa)

 

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Há uma latinha que perpassa o filme de Ozu, Bom Dia (1959). Tem escrita a palavra “peace”. Ela avisa-nos que estamos no Japão do pós-guerra. E que esse pós-guerra, se escreve, também, com caracteres ocidentais.

Por muito que nos delicie a cara rechonchuda de uma das crianças que protagonizam o filme – o mais novo de dois irmãos que entram em conflito com os pais, e fazem um voto de silêncio, exigindo ter televisão em casa – (e a maneira como diz “Sayonara”, seguido de “I Love You”) este filme não é sobre crianças, nem tão pouco – só –  sobre o olhar que estas têm sobre o mundo dos adultos.

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