Super 8

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Há uns dias ouvi da boca de um padre uma descrição sobre a diferença entre nostalgia e saudade. A saudade (de algo ou alguém que já não está) manifesta-se como uma presença. É por isso que é boa. Quando sentimos saudades de alguém de quem gostamos, sabemos que não estando – já, ainda –  está sempre connosco. A saudade é uma permanência. Uma proximidade e um aconchego. Uma presença capaz de fintar a própria morte.

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Tout Tati

icon-14tati_par_doisneauSou pouco partidária de obrigações, mas no caso de Jacques Tati abro uma excepção. Parece-me que devia ser obrigatório ver os filmes de Tati a partir da mais tenra idade. Na escola primária, quando fosse. The sooner, the better.

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Birdman (do amor)

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Não é por acaso que nos créditos de abertura do novo filme de Alejandro González Iñárritu, Birdman, se acende, letra por letra, a palavra “amor”.

O amor, ou a insaciável necessidade que todos temos de ser amados, é o tema do filme, como é o tema de quase todos os filmes, afinal.

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Monsieur S.

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Mad ama Wes ama Stefan. Isto é uma hyperballad, palavras para quê?

Às voltas com Stefan Zweig, um burguês judeu vienense fin-de-siècle, psicoanalítico e passionate.

A ler “La confusion des sentiments et autres récits“.

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Ozu (há uma latinha que separa)

 

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Há uma latinha que perpassa o filme de Ozu, Bom Dia (1959). Tem escrita a palavra “peace”. Ela avisa-nos que estamos no Japão do pós-guerra. E que esse pós-guerra, se escreve, também, com caracteres ocidentais.

Por muito que nos delicie a cara rechonchuda de uma das crianças que protagonizam o filme – o mais novo de dois irmãos que entram em conflito com os pais, e fazem um voto de silêncio, exigindo ter televisão em casa – (e a maneira como diz “Sayonara”, seguido de “I Love You”) este filme não é sobre crianças, nem tão pouco – só –  sobre o olhar que estas têm sobre o mundo dos adultos.

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chris marker (uma rampa para o céu)

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eec9e4d1d925add4_image-1Estivesse eu em Londres, e era aqui que estaria.

A exposição de Chris Marker na Whitechapel Gallery, que termina, oh tragédia, daqui a três dias. O título, A Grin Without a Cat, alude  a muitas coisas (como qualquer título que se preze. Pode ser Lewis Carroll mas também o próprio Marker, fugidio e arisco como um gato), mas para o que interessa é sobretudo uma alusão ao filme de 1977 cujo título original é Le Fond de L’Air est Rouge, onde Marker sustenta que Maio de 1968 aconteceu, de facto, em 1967. Tudo transita e tudo começa antes de existir. Não vi. É obrigatório. Vou ver.

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Andersoniana

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Ultimamente, on est très Wes Anderson.

Tinham ficado prometidas umas aspersões visuais com refrescante memorabilia Andersoniana. Gota a gota. Hoje descobri mais uma, é esta galeria de personagens integrada no livro The Wes Anderson Collection (da Abrams, claro).

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The Grand Budapest Hotel

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Tão bom.

Agora em maiúsculas: TÃO BOM.

Os insensatos que ainda não foram ver The Grand Budapest Hotel façam favor de ir. Rapidamente. E voltem, que é o que eu conto fazer assim que puder.

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A promessa de Sofia

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Finalmente, fomos ver The Bling Ring.

E então? Uma canseira. Senhora canseira. Depois de hora e meia de vazio, repetição e futilidade, fiquei de rastos.  Baralhada e deprimida, à beira do bocejo, não fosse a irritação servir de cafeína de recurso.

Estou à vontade porque adoro os filmes de Sofia Coppola, mas à quinta fita,  quase me desconverte. Foi tal a decepção, que tive de confirmar se era a única desiludida. Parece que não. Um curtíssimo giro pela Net espelha bem a desapaixonada recepção da generalidade da crítica, que só condescende porque Coppola é uma esteta e porque uma Coppola nunca vem só.

Nem a beleza da cinematografia, discutível quando a maior parte dos planos estão preenchidos por objectos feíssimos (é o luxo que temos), safa o filme, nem os momentos  de autor (como aquele penoso e belo zoom in sobre mais uma casa a ser assaltada, que lembra a cena da piscina em Somewhere e nos coloca conscientemente no lugar do voyeur) sacodem o tédio da repetição ad nauseam da mesma sequência estéril: roubo-desbunda-foto-facebook.

Enquanto não chega a redenção que nos faça esquecer este fastio, agarramo-nos à promessa de Sofia, de que o seu próximo filme será mais intimista e minimal.

E enquanto me pergunto o que terá passado pela cabeça de alguma crítica portuguesa para dar 3 estrelas a The Bling Ring, recolho o comentário do crítico do Times, que resume tudo:

«“The Bling Ring” occupies a vertiginous middle ground between banality and transcendence, and its refusal to commit to one or the other is both a mark of integrity and a source of frustration.» Entre a banalidade e a transcendência, Coppola não sabe bem onde está. E nós não nos podemos dar ao luxo de nos perdermos com ela, arrastados pelo olhar presumivelmente distante. A. O. Scott tem razão. Com a idade está cada vez mais tolerante. O que é bom.

(o artigo completo está aqui)

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