
Finalmente, fomos ver The Bling Ring.
E então? Uma canseira. Senhora canseira. Depois de hora e meia de vazio, repetição e futilidade, fiquei de rastos. Baralhada e deprimida, à beira do bocejo, não fosse a irritação servir de cafeína de recurso.
Estou à vontade porque adoro os filmes de Sofia Coppola, mas à quinta fita, quase me desconverte. Foi tal a decepção, que tive de confirmar se era a única desiludida. Parece que não. Um curtíssimo giro pela Net espelha bem a desapaixonada recepção da generalidade da crítica, que só condescende porque Coppola é uma esteta e porque uma Coppola nunca vem só.
Nem a beleza da cinematografia, discutível quando a maior parte dos planos estão preenchidos por objectos feíssimos (é o luxo que temos), safa o filme, nem os momentos de autor (como aquele penoso e belo zoom in sobre mais uma casa a ser assaltada, que lembra a cena da piscina em Somewhere e nos coloca conscientemente no lugar do voyeur) sacodem o tédio da repetição ad nauseam da mesma sequência estéril: roubo-desbunda-foto-facebook.
Enquanto não chega a redenção que nos faça esquecer este fastio, agarramo-nos à promessa de Sofia, de que o seu próximo filme será mais intimista e minimal.
E enquanto me pergunto o que terá passado pela cabeça de alguma crítica portuguesa para dar 3 estrelas a The Bling Ring, recolho o comentário do crítico do Times, que resume tudo:
«“The Bling Ring” occupies a vertiginous middle ground between banality and transcendence, and its refusal to commit to one or the other is both a mark of integrity and a source of frustration.» Entre a banalidade e a transcendência, Coppola não sabe bem onde está. E nós não nos podemos dar ao luxo de nos perdermos com ela, arrastados pelo olhar presumivelmente distante. A. O. Scott tem razão. Com a idade está cada vez mais tolerante. O que é bom.
(o artigo completo está aqui)
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