A Vida em Sprint (Correcção)

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Quem migra para a província em busca de paz e sossego desengane-se. Aqui tudo é mais rápido.

Mesmo na planura alentejana, é um vê-se-te-avias.

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Das Coisas que se Passam na Província

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Também deve ser da idade, mas agora sim percebo o Miguel Esteves Cardoso quando escreve sobre os pêssegos de Colares ou o eléctrico térmico da Praia das Maçãs. São sempre textos muito bons, daqueles que inspiram respeitinho, daqueles que quase me fazem dizer “Madzinha, tem juízo”, para depois corrigir enquanto posso, no salto, no acto, e acrescentar: juízo coisa nenhuma, sempre faz falta um bocadinho de loucura, no meu caso mesmo muita, para parir um texto de jeito e não pensar no depois.

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Postal de Verão #3

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Agora que passou a bafa e sobrevivemos podemos respirar fundo – inhale, exhale – e retomar a vidinha. Cada um faz o que pode e eu regresso ao blogue abandonado, para afirmar que #printsnotdead e o blogging também não.

Só tem dias.

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Peonasmo

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Tenho esta mania das peónias. Não é um fraquinho, é uma queda. É fortíssimo. Também elas têm queda para a queda.

Anda a turistada toda doida com os jacarandás. Os alfacinhas roxos de todo. O Instagram também,  roxo de todo, todo roxo, ou lilás, o que quiserem, o que importa é que são são altamente instagramáveis, o raio das árvores.

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Coisa Séria

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Não há explicação para a minha adoração por Capitão Fausto. É coisa séria e piora com a idade. O que tem ainda mais graça quando penso que, com jeitinho, e pelo menos de um ponto de vista estritamente biológico, os Capitão Fausto podiam ser meus filhos.

Bando de meninos. Banda de meninos.

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O Fogo e o Gelo

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Não é preciso ter um coração vulcânico para derretermos, feitos lava, perante esta série de quadros de Júlio Dolbeth, em exposição na Ó Galeria de Lisboa.
É uma história pessoal. É uma história universal.
A Terra demora 365 dias a dar a volta ao Sol e isso é tanto e isso é tão pouco. Um segundo pode inverter tudo e a impossibilidade deixar cair o “im” e converter-se num possível ou a possibilidade rebelar-se ou perder o chão e puf, lá vamos que já fomos. Vice e versa, tu e eu, nós e todos.

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Tudo, tudo, não

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Esta semana tivemos uma super lua, super azul, super eclipsada ou eclipsante e na realidade parece que tudo ficou na mesma.

Tudo, tudo, não.

Diz-me o meu primo que a partir dos 40 anos todas as mulheres fazem Yoga, ou meditação, ou ambas as coisas, e eu tenho de corrigir e explicar-lhe que medito transcendentalmente desde dois mil e nove, quando ainda era uma Balzaquiana.

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Grande Novidade (Ano Novo)

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O ano começou como uma manhã lavada, fresca, fresca, veio chuva, veio vento, veio frio, e ainda não tinha sentido essa grande novidade nas ventas como hoje. Estava uma manhã de glória e o meu filho aponta para o céu e diz olha que bonito. Cinzento em fios prateados de nuvens e uma luz louca e uma luz nossa. E depois dizem que a Internet deu cabo da nossa capacidade de olharmos para as estrelas. Não deu coisa nenhuma. Deu cabo de muita coisa, mas lá olhar para o céu, olhamos. Mesmo que seja só para tirarmos fotografias. E fazermos postais. E partilhar imenso. E marcar com tantos e tantos coraçõezinhos palpitantes.

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