O Fogo e o Gelo

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Não é preciso ter um coração vulcânico para derretermos, feitos lava, perante esta série de quadros de Júlio Dolbeth, em exposição na Ó Galeria de Lisboa.
É uma história pessoal. É uma história universal.
A Terra demora 365 dias a dar a volta ao Sol e isso é tanto e isso é tão pouco. Um segundo pode inverter tudo e a impossibilidade deixar cair o “im” e converter-se num possível ou a possibilidade rebelar-se ou perder o chão e puf, lá vamos que já fomos. Vice e versa, tu e eu, nós e todos.

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Tudo, tudo, não

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Esta semana tivemos uma super lua, super azul, super eclipsada ou eclipsante e na realidade parece que tudo ficou na mesma.

Tudo, tudo, não.

Diz-me o meu primo que a partir dos 40 anos todas as mulheres fazem Yoga, ou meditação, ou ambas as coisas, e eu tenho de corrigir e explicar-lhe que medito transcendentalmente desde dois mil e nove, quando ainda era uma Balzaquiana.

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Grande Novidade (Ano Novo)

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O ano começou como uma manhã lavada, fresca, fresca, veio chuva, veio vento, veio frio, e ainda não tinha sentido essa grande novidade nas ventas como hoje. Estava uma manhã de glória e o meu filho aponta para o céu e diz olha que bonito. Cinzento em fios prateados de nuvens e uma luz louca e uma luz nossa. E depois dizem que a Internet deu cabo da nossa capacidade de olharmos para as estrelas. Não deu coisa nenhuma. Deu cabo de muita coisa, mas lá olhar para o céu, olhamos. Mesmo que seja só para tirarmos fotografias. E fazermos postais. E partilhar imenso. E marcar com tantos e tantos coraçõezinhos palpitantes.

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Possibilidades

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Parece que na Islândia, que é o país que publica mais livros per capita, há uma tradição de Natal que consiste em oferecer livros no dia 24 e passar a noite a lê-los. Assim como se não houvesse amanhã. Chamam-lhe avalanche de livros (a palavra é “flod”, que dá origem ao termo Jolabokflod).

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Cecilie, Bang, Bang

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Um amigo pergunta-se se terá chegado a altura de mudar de coluna. Tem uma Marshall toda catita, maneirinha, formosinha, mas não suficientemente potente para se fazer ouvir na cozinha cheia, muito cheia, na festa que deram há uns dias para abençoar o novo palácio.

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Coisas para fazer antes que o Verão acabe (e um bocadinho depois)

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Antigamente os filósofos praticavam o desapego, hoje não é bem assim. Li esta semana um texto bastante inspirado de Tom Hodgkinson, fundador da revista The Idler, em que, a propósito das manifs francesas destes dias, contrapunha o desprezo do presidente Macron pelos “fainéants” – os que não fazem a ponta – ao lifestyle de Sócrates (o grego), e Diógenes que “não faziam muito mais que conversar com as pessoas no mercado”. E não cobravam por isso.

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No Minho sê Minhota (Paredes)

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Levei comigo para Paredes, no meio de latas de atum (com alecrim, não há necessidade de fazer figuras), um livrinho de Stefan Zweig (O Jogador de Xadrez) e as Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco. (S., que apesar de ter transitado para o 4º ano, continua a inventar, quer saber:  “Novelas do Moinho?. Ah ha ha, quem é que anda a ver telenovelas num moinho?” Ninguém, amor, está tudo bem).

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#Alesscuratedlife

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Ontem fomos ali almoçar à Sardenha e quando o Sol se pôs atrás da Serra levantámos arraiais. Às oito já estávamos em casa. Tirei várias fotografias e publiquei uma no Instagram, ciosa de partilhar com o mundo aquele bocadinho de paraíso. Recebi dezassete coraçõezinhos bandeirolas, amorosíssimos todos, e já pude dormir descansada.

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Uma Família de Flâneurs no Walk & Talk

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Não sei o que levaria para uma ilha para além dos meus amores, mas dos Açores volta-se sempre de alma lavada. Tanto azul, tanto verde, e a minha favorita: a pedra vulcânica, negra, granulosa, que tão intensamente e a seu gosto recorta o mar.

Cada fim é sempre um princípio e por isso voltamos na esperança que desta vez seja de vez.

Nunca é.

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