Peep Toe Paez

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Ouvi por aí que a Paez abriu uma nova loja em Lisboa. Acho que Portugueses e Argentinos nunca estiveram tão perto desde os tempos da revolução, em que Che e o seu habano partiam corações (era giro, o Ernesto, e agora que está pixelizado continua cheio de pinta. Eles bem avisaram que ia ser televizada, a revolução, e pixelizada pelos vistos também).

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Girlhood (What my Daughter Wore)

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Clementine é uma miúda de Brooklyn. Vive com a mãe, e os dois irmãos rapazes, num loft de Williamsburg. A mãe é artista, chama-se Jenny Williams e quando deixou de ter espaço para pintar  -grandes telas, imaginamos – começou a fazer desenhos da filha e dos seus amigos, aperaltados e nonchalants.

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Bárbara Viseu

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IMG_4194-2O apelido tem pronúncia do norte, mas Bárbara Viseu nasceu em Lisboa. É aqui que vive e trabalha, num atelier com vista sobre a cidade “que é ainda” em sua casa, e onde a relativa falta de espaço não chega para bloquear a criatividade. Mas foi no Norte, numa aldeia de Trás-os-Montes, que tudo começou.

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Mood Lifter (La Fascinante)

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Lipstick is back, increasingly enjoyed by a generation of women who never previously wore it alongside with those who have rediscovered its complexion-freshening, mood-lifting properties.”

 

No último número de The Gentlewoman, descubro uma magnífica produção de maquilhagem quase sem maquilhagem. Ou com alguma maquilhagem, mas tão bem maquilhada que quase nem se nota. Leio a entrada do texto e verifico que se trata de uma soberba publireportagem disfarçada (tão bem que quase nem se nota): o make up é obra do director criativo de maquilhagem da Chanel, e todas as fotografias, apresentadas em versão preto e branco e a cores, servem para evidenciar as características de Les Beiges, a nova geração de pó compacto da marca, que chega na Primavera.

Uns dias mais tarde, nuns grandes armazéns da capital, à procura de um baton dramático (Leio na revista, e escrito assim, neste tom autoral, está tal e qual um documentário da National Geographic: “Lipstick is back, increasingly enjoyed by a generation of women who never previously wore it alongside with those who have rediscovered its complexion-freshening, mood-lifting properties.” Penso nos lábios encarnados da Grande Guerra, e nas mulheres que desenhavam fios ao longo das pernas, para simular meias de vidro inexistentes).

Percorro visualmente os batons da marca artística canadiana, sozinha encontro o tom que procuro, e peço ajuda. Uma loira oxigenada de raízes pretas que claramente estagnou nos anos 80 sem nunca sequer ter visto um vinil, arrasta-se até mim, a cabecinha levemente inclinada para a direita, a anca levemente esticada para a esquerda, e detém-se, especada, a olhar.

Não diz nada, só olha.

Claramente está à espera que eu suplique para que me atenda. O que faço, logicamente, porque daí a meia-hora tenho de estar no escritório e ainda não almocei. Digo-lhe que gostava de experimentar aquele baton e que precisava de um blush também. A contragosto, lá procura o baton com desdém e displicência, para concluir que está esgotado. Enquanto experimento o tester, a verdadeira artista do make up assobia para o lado mentalmente – mas também podia estar a limar as unhas, ou a mastigar pastilha elástica de boca aberta, ou a fazer umas botinhas de tricot, que seria a mesma coisa – incapaz de disfarçar o seu ar de puro tédio. Não abre a boca, não mexe nenhum dos músculos da cara num assomo de expressão. Não boceja, é verdade, mas até isso seria pedir demais. É um autómato, um autómato insuportavelmente blasé e enjoado, mais enjoado que um pescado (maquilhado). Deus é grande. Se o raio do baton não estivesse esgotado, teria de ter feito um esforço enorme para o comprar.

Pergunta: será que ganham à comissão para enxotar clientes? Estarão em greve silenciosa? Irão organizar um sit-in com cartazes pintados a rimmel, pincéis agitando-se no ar em uníssono?

Outros, vários, dias mais tarde, mesmo sítio, mesma hora. Regresso ao lugar do crime para ver se desta vez tenho mais sorte e sou atendida por alguém que tenha sido amado no último ano. Mas é inútil. Aparece-me mais um pitbull sonso, de pestanas enroladas e pálpebras minerais, esbanjando cinismo e má vontade. E assim concluo que a minha love story de quase duas décadas com a marca de cosméticos canadiana tem os dias contados.

Hélas. Deslizo para a concorrência e uma senhora muito educada e simpática descreve-me os encantos de Les Beiges, e, enquanto não chegam, e a Primavera, e as andorinhas, convence-me a trazer um rouge irresistível com o nome “La Fascinante”.

Serve todo este détour para dizer: 1) em tempos de crise, a cosmética está em contraciclo. Os chocolates também. E as tartes de amêndoa, quero crer.

2) quando quiserem cair numa indulgência e dar uma dentada no fruto proibido do consumo, e se inclinarem pela primeira opção, afastem-se das M.A.Ciavélicas.

(também tenho reparado que os folhos estão em alta, a geometria em cores básicas também e que as top models dos anos 90 protagonizam um glorioso comeback. O próximo post poderia chamar-se Mondrian Sevilha Evangelista. E este não vai ser mais um blogue de moda, sosseguem.)

 

Fabricantes

United Portuguese é o título da exposição que inaugurou na semana passada na Fabrica Features em Lisboa. Nela, uma série de artistas, designers e criativos convidados reinterpretam o espírito da Benetton em várias peças, de roupa e não só. Tudo começou online, numa iniciativa do blogue And This is Reality, mas depressa passou para a realidade (off).

Para mim, foi um bocadinho de Vogue Fashion Night In. Com ofícios e amigos. A exposição continua até dia 29 e vale a pena, para espreitar os trabalhos de Gonçalo Campos, Studio AH HA , Mariana Carreiras, Rui Vitorino Santos, Júlio Dolbeth e Colonia, entre outros.

Deixo aqui um sneak peek com alguns dos  trabalhos (como o guarda-sol de Gonçalo Campos, lá em cima, o wallpaper de Catarina Carreiras e Carolina Cantante -as meninas AH HA- e a camisola peephole meets polka dots com assinatura Colonia, aí em baixo)

Pelo meio, e apesar de não ser muito habitual, e de passar a vida a ensinar os meus filhos que ali não se mexe, uma fotografia da minha carteira caos com os postais DIY do Studio AH HA a espreitar (são feitos com carimbos). Naice!

Olivia e os outros

Graças às diligências de uma conhecida agência de comunicação pátria, fiquei hoje a saber que a teenage blogger( and photographer) Olivia Bee fotografou a capa e um editorial do novo número da revista Le monde d’Hermès cuja edição AW chega às lojas este mês (para quem conseguir ultrapassar o choque da montra e tiver coragem de entrar). Claro que isto era blogger buzz há algum tempo, e por isso, acredito que para quem esteja atento, já nem sequer seja notícia.

Mas nem é essa a notícia. A notícia é: a partir de agora vou começar a pensar seriamente em incutir nos meus filhos esta esplendorosa promessa de futuro: ser blogger. Acho que já aqui o disse, mas repito: quando lhes perguntarem “o que queres ser quando fores grande?” vou torcer para que respondam “blogger”. Profissional, dedicadíssimo, devoto.  A facturar milhões.

Já conheciamos muitos casos de sucesso de bloggers profissionais que “vingam” no mundo editorial de carne e osso, o que prova que o papel afinal não está morto. Assim, o fascínio da Hermès com as imagens poéticas e granulosas da menina Olivia é perfeitamente explicável, e está longe de ser inédito. Para as marcas, e para Olivia, não é a primeira vez.

Olivia, que vive na América quase profunda, em Portland, Oregon, fotografa desde os 14 anos, e aos18 acumula campanhas de peso, para a Converse, Nike e agora este trabalho para a – oh la la – Hermès. Para além das fotografias, a abelhinha (bee é uma adaptação livre de um apelido bem mais banal) também fez um vídeo, que está no canal de YouTube da marca francesa, mas que não apetece partilhar. Adiante.

As fotografias de Olivia, essas sim, até têm graça. É fácil revermo-nos neste olhar para quem tudo parece belo e novo, até um rapazinho desengraçado, que de repente é mesmo o maior. Absoluto. Ela cita as Cindies e as Nans, mas é outra coisa. Boa.

E depois, tem piada ver como as marcas canibalizam os bloggers que canibalizam as marcas. E como as agências de comunicação nos vendem notícias que já não são notícia e nunca foram notícia e fica tudo na mesma. E como os jornalistas criticam e ostracizam os bloggers, mas depois escrevem páginas sobre eles, porque sabem que isso os ajuda a vender os jornais que ninguém quer (os números assustam). E também tem piada, muita piada, ler traduções de press releases que são autênticas pérolas literárias, com “príncipes charmosos” a atravessar “bucólicos contos de seda”. E textos publicados em jornais que são copy paste acríticos desses mesmos press releases que enxovalham as línguas. Repetidos ad nauseum. E assinados por “jornalistas”.

E assim se passou, entre framboesa e framboesa, o lunch break de sexta-feira.

(a imagem é de Olivia Bee, para a Hermès. Quem quiser ver mais pode espreitar aqui e aqui.)

Tempo

Como uma borboleta, o 24 h Museum da Prada abriu ontem e morreu. Mais um projecto unindo Miuccia e Koolhaas. E Francesco Vezzoli. Depois de imensos previews e post releases, continuo a não perceber muito bem o que se passou. Esta semana, também ficámos a saber que a Prada se estreou no Facebook. É oficial. E é notícia.

 

Like a butterfly, Prada’s 24 h museum opened yesterday and died. Another project by the tandem Miuccia + Koolhaas. And Francesco Vezzoli. After a lot of previews and post releases I am still not very much sure about what happened. This week, we were also informed that Prada is now on Facebook. It’s official. And it’s news.

O Homem da Máquina de Fotografar

Está no coolhunter, está por todo o lado. Um belíssimo, ainda que óbvio, short doc sobre o Sr. Sartorialist. É tão naice que não resisto a colá-lo aqui (isso e o facto de gostar bastante do plano de abertura, e ainda mais dos óculos do senhor). O mundo a encolher.  A vida visual (cada um tem a sua, mesmo que seja brought to you by, como esta) que todos queremos viver. “A digital park bench”. Meet the man.

Sem Saco (Faux Birkin)

Mesmo quem não tenha muito saco para Mademoiselle Birkin, a sua fina fragilidade e a sua voz de cana rachada, concordará que a carteira homónima, lançada em 1982 a partir de um modelo Hermès do século XIX, se tornou um (hum hum) “ícone do estilo”. A Birkin (por favor, pronuncie-se o RRRR) está na hit list de todos os gurus do estilo (e nem queiram saber a quantidade de literatura do género que tenho consumido ultimamente), e eu, que nem sou nada dada a luxos (aqui, mesmo que fosse, não poderia dar-me ao luxo) acho irresístivel a ideia de ser suficientemente grande e generosa para guardar todo o tipo de coisas (camuflar a confusão) e ainda assim manter-se impecável aos olhos do mundo. Caos por dentro, imperturbável por fora. Identifico-me, o que posso fazer?

Adiante.

Mas se até agora a Birkin era mais uma “inaccessible étoile”, há novidades. Podemos ter uma por uns irrisórios 35 dólares, graças à marca Thursday Friday que a “estampou”, descaradamente, num saco de lona ( e não é a única, pelos vistos. Estas descobri-as via T Magazine). Não é a mesma coisa. É melhor. E cabe tudo (o original foi desenhado para substituir um cesto onde Jane Birkin guardava as suas coisas, incapaz de encontrar uma carteira de pele à sua altura).

Em breve teremos mais novidades sobre sacos de lona com dézaine. Por agora, ficamos com este adorável faux, tão verdadeiro quanto a própria Birkin e o seu Beau Serge, que aprendemos a amar.

 

Diwali

Estas levíssimas lanternas de papel são os novos habitantes das montras da Louis Vuitton por todo o mundo. São tão bonitas, o efeito é tão esplendoroso,  que não resisti a publicá-las. Seja qual for a nossa praia,  parece-me inegável que cumprem o objectivo: são radiantes, luminosas, a luz é leve e vem de dentro.

O pretexto é o Diwali, o milenar Festival das Luzes indiano que simboliza a “alegria, o optimismo e os novos começos”, e que a LV actualiza pela mão do artista e cenógrafo Rajeev Sethi. São colunas de malas pintadas à mão na Índia sobre papel de fibra de banana.  O monograma é quase imperceptível, mas está lá, misturado com trunks reais. A Índia está “in”, é óbvio (outro gigante  do branding que vai explorar brevemente a Indian connection no seu -ehum, atenção à palavrinha nova que incorporei ao meu léxico destreinado – “visual merchandising”, é a Nespresso. Wait and see). E quando é assim, agradece-se.

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