Barbatana

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Melville sabia tudo sobre baleias.

A sua obsessão foi um tesouro.

Foi a partir dela que escreveu mais de 600 páginas sobre um monstro marinho que poucos homens viram de perto.

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Perto

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Era uma vez um rond-point* Milanês.

E ali havia um bar que se enchia de gente uma vez por ano. O resto do tempo era um bar de bairro, onde paravam velhos distraídos, comerciais nervosos, mulheres que pintam o cabelo, crianças birrentas a puxar as calças dos pais.

Faziam-se apéritifs democráticos.

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A caça

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Um dia como os outros, levanto-me, tomo banho, atravesso a casa, entro na sala e pergunto às crias se já tomaram o pequeno-almoço. Já estão com as cabeças mergulhadas nos telemóveis, meus queridos avestruzes, e respondem sim, sim.

Faço um café, não como mais nada porque já não é propriamente cedo e é preciso sair.

Hoje vou à caça.

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Mergulho

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Aquela praia era o paraíso. Mas tinha um problema: o Sol punha-se demasiado cedo. A água também era um problema. Demasiado fria. Sol apressado, água gelada, não é a melhor combinação, não fosse aquela praia o paraíso, e ao paraíso desculpa-se tudo.

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Desassossego (le paradis c’est les autres)

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Há quase dois verões mudei-me para o campo. Teoricamente vivo numa cidade, mas na prática isto é a pasmaceira absoluta. O mais luminoso sossego.

Ainda bem.

Foi para isso que vim.

Lembro-me de como me incomodava o silêncio nesse meu primeiro Verão alentejano. O silêncio era uma coisa louca, de perfurar os tímpanos, e fazer tremer os alicerces desta construção em construção que sou eu. O silêncio que não me deixava dormir. O silêncio que tomava conta de tudo, do espaço e tudo o que contém, interior, exterior, por dentro e do avesso.

Hoje já não o ouço.

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breathless, branded and bewildered

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Um dia conheci um digital manager que mandava tanto que lhe chamávamos digital master, e ele percebia mesmo daquilo, posts, e influéncers e #hashtags, e melhores horas para postar, e microblogging e cross posting, e colabs, e todos os meandros da #vidavirtual.

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Noctambule

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Nunca soube bem como se pronuncia “Grcic”, na minha boca cada dia é uma pronúncia diferente, mesmo depois de ter entrevistado o grande Konstantin, há vários anos, há várias vidas, fiquei na mesma. Em vez de lhe perguntar o que achava sobre o excesso de objectos desenhados num mundo cheio de mais (e ainda não se falava de crise climática) devia ter-lhe disparado, “Konstantin, como se pronuncia o teu nome?”.

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De passagem

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Diz Don Galeano que recordar vem do latim “re-cordis”, voltar a passar pelo coração. O livro, chamado “Dos Abraços” , está cheio de coisas bonitas e significantes, fantasias e realidades, histórias que gostaríamos nos tivessem acontecido ou então que nos tivessem contado, que más da, outras não tanto, de duras e abjectas e inacreditáveis, mas em todas é tão fácil rever-se.

Estou a ler e é como se lesse uma vida minha que não vivi. Estou a ler e a cada página estou colada, as palavras são calquitos, passo o lápis sobre o papel vegetal e fica lá o rasto, o risco, a memória, e do outro lado, nítida, a imagem de uma experiência que não sendo minha, sou eu inteira. Não há como explicar este processo, só que entre estes abraços repousa a mente, e atrás o corpo, e isso é bom.

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A Rolha da Garrafa do Rei da Rússia

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Uma Madalena foi à ópera e um casal muito simpático perguntou: “Então já não escreve sobre design?”.

“Tem dias”, respondeu.

Hoje é um desses dias. Porque antes que o ano acabe é importante lembrar as coisas boas que o marcaram, e o trabalho do colectivo de designers francês Collections Typologie é um óptimo exemplo.

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