Chet Baker num clube em Paris viaja para trás

"Se não enfrentaste a madrugada |
com os olhos cheios de sono|
é porque não sabes o que é o amor"

cantou-me Chet ao ouvido
todo mel
caindo 
na sopa

e eu, naturalmente, acreditei.

Sentada à janela,
que se abria sobre o campo
que se abria sobre a claridade
eu ouvi muitas madrugadas.

Às vezes, no meio da bruma
das manhãs cinzentas, esverdeadas,
parecia-me ver ao longe a torre eiffel

como se fosse um mastro e eu um barco, 
eu a vigia e ela o vulcão
espetado
na minha ilha 
privada

naturalmente, era uma ilusão óptica
que acompanhava a minha ilusão óptima 
e assim sem esfregar os olhos
eu seguia
no banco de trás do autocarro,
até à próxima miragem.

(na fotografia, Chet e Halima, numa imagem querida que me acompanhou durante toda a juventude, e bem depois)

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