Snack Reads

Ando a escrever várias coisas e há uns dias numa entrevista disseram-me: “O mais importante é aquilo que podemos não estar a ver”. A entrevista não tinha, em princípio, nada de filosófico, e talvez por isso mesmo aquilo bateu-me.

O que julgamos que sabemos. Aquilo que para nós é claro. Isso é fácil. O problema (e o mais importante, talvez) é aquilo que podemos não estar a ver. 

Hoje quando o algoritmo me presenteou com a notícia (!) sobre a aliança improvável entre a Fnac e o Uber Eats, só não esfreguei os olhos porque já sei que não se faz. Em algumas coisas fico calada e sou obediente.

Mas pisquei-os várias vezes, isso sim.

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Página 99

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Entramos na gruta de Ali Babá e S. hesita uns segundos antes de descobrir o caminho que leva ao espaço das crianças. É um ninho dentro de um ninho.

Estamos na livraria Fonte de Letras, em Évora, e não sei como é que o meu filho me deixou entrar. Se calhar foi porque não parecia bem uma livraria, ou só uma livraria. Se calhar cheirou-lhe a bolinhos.

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Slow em Óbidos

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Há uns dias estivemos (todos) em Óbidos para visitar a vila literária que José Pinho, da Ler Devagar, ajudou a erguer no sopé do Castelo.

Descobrimos a livraria do Mercado, onde os livros estão encaixotados, mas nas paredes, e os tomates, as courgettes e o manjericão convivem com o Vergílio Ferreira, a Florbela Espanca e o Eusébio da Silva Ferreira, de quem trouxemos “recuerdos”. O acervo da livraria é periodicamente renovado, graças às remessas de dois alfarrabistas de Lisboa e um do Porto. Nunca se sabe o que pode vir a seguir, e é essa a graça inesperada da questão.

Vistámos uma livraria dentro de uma igreja, cheia de livros que queríamos trazer (incluindo um sobre o situacionista Guy Debord), mas mesmo que não trouxessemos nenhum, já teria valido a pena visitá-la só para percorrer o labirinto bibliófilo, subir à estante ponte que é um miradouro sobre os volumes que se sucedem. E inclinar a cabeça, adivinhando as lombadas, e andar, andar, até parar numa secção com Alberto, e Álvaro, e Bernardo,  e ler a legenda na estante a sorrir:”Fernando Pessoa e Companhia”.

A igreja tem um nome bonito Santiago ou São Tiago e não a vamos esquecer.

Parece que em Óbidos são sete livrarias, e sete é um número engraçado, e até há uma livraria com livros de cinema, e até há outra só de livros infantis (da Bicho do Conto e não só). Que nos interessa, como é óbvio, como interessam os livros para crianças a qualquer mãe que gosta de livros e dos filhos, e sobretudo a uma mãe de dois mais dois como eu. As crias vibraram e havemos de voltar.

(Porque há livros que se lêem depressa, outros mais bem devagar, mas as livrarias de que gostamos são sempre slow, algumas têm sofás, sofás de orelhas e chávenas fumegantes, outras apenas livros, mas todas têm alguém, do lado de lá do balcão, ou a cirandar felizmente entre o pó dos livros, que nos responde a uma pergunta e nos lança outra, inteligente e viva.)

Também estivemos na Galeria Nova Ogiva, que tem uma livraria (fraquinha) de artes e tal, mas que tem sobretudo o projecto de José Aurélio, mas isso é grande e fica para outro post.

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