Snack Reads

Ando a escrever várias coisas e há uns dias numa entrevista disseram-me: “O mais importante é aquilo que podemos não estar a ver”. A entrevista não tinha, em princípio, nada de filosófico, e talvez por isso mesmo aquilo bateu-me.

O que julgamos que sabemos. Aquilo que para nós é claro. Isso é fácil. O problema (e o mais importante, talvez) é aquilo que podemos não estar a ver. 

Hoje quando o algoritmo me presenteou com a notícia (!) sobre a aliança improvável entre a Fnac e o Uber Eats, só não esfreguei os olhos porque já sei que não se faz. Em algumas coisas fico calada e sou obediente.

Mas pisquei-os várias vezes, isso sim.

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Despensa

Uma pessoa acorda com uma frase na cabeça e deita-se com outra, o que para alguns seria uma grandessíssima promiscuidade.

Uma pessoa pode até não acreditar no poliamor e abrir uma excepção para os livros, que devem ser muitos, múltiplos e variados.

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Bibliófagos

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10438565_932572110087765_6089441779897831309_nAcho um tédio aquela boca dos literati pavoneantes que gostam de se gabar, não da lista de livros que têm para ler, mas dos livros que só não leram porque ainda não saíram. Aqueles Sebastiões do futuro que estão na calha das editoras ou nos jornais em pré-publicações quase secretas, com ares de allumeuse.

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Slow em Óbidos

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Há uns dias estivemos (todos) em Óbidos para visitar a vila literária que José Pinho, da Ler Devagar, ajudou a erguer no sopé do Castelo.

Descobrimos a livraria do Mercado, onde os livros estão encaixotados, mas nas paredes, e os tomates, as courgettes e o manjericão convivem com o Vergílio Ferreira, a Florbela Espanca e o Eusébio da Silva Ferreira, de quem trouxemos “recuerdos”. O acervo da livraria é periodicamente renovado, graças às remessas de dois alfarrabistas de Lisboa e um do Porto. Nunca se sabe o que pode vir a seguir, e é essa a graça inesperada da questão.

Vistámos uma livraria dentro de uma igreja, cheia de livros que queríamos trazer (incluindo um sobre o situacionista Guy Debord), mas mesmo que não trouxessemos nenhum, já teria valido a pena visitá-la só para percorrer o labirinto bibliófilo, subir à estante ponte que é um miradouro sobre os volumes que se sucedem. E inclinar a cabeça, adivinhando as lombadas, e andar, andar, até parar numa secção com Alberto, e Álvaro, e Bernardo,  e ler a legenda na estante a sorrir:”Fernando Pessoa e Companhia”.

A igreja tem um nome bonito Santiago ou São Tiago e não a vamos esquecer.

Parece que em Óbidos são sete livrarias, e sete é um número engraçado, e até há uma livraria com livros de cinema, e até há outra só de livros infantis (da Bicho do Conto e não só). Que nos interessa, como é óbvio, como interessam os livros para crianças a qualquer mãe que gosta de livros e dos filhos, e sobretudo a uma mãe de dois mais dois como eu. As crias vibraram e havemos de voltar.

(Porque há livros que se lêem depressa, outros mais bem devagar, mas as livrarias de que gostamos são sempre slow, algumas têm sofás, sofás de orelhas e chávenas fumegantes, outras apenas livros, mas todas têm alguém, do lado de lá do balcão, ou a cirandar felizmente entre o pó dos livros, que nos responde a uma pergunta e nos lança outra, inteligente e viva.)

Também estivemos na Galeria Nova Ogiva, que tem uma livraria (fraquinha) de artes e tal, mas que tem sobretudo o projecto de José Aurélio, mas isso é grande e fica para outro post.

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