Veludo

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Às vezes era preciso abrandar, e então ouvia Sade Adu como num círculo e ficava ali presa naquela doçura. Em repeat, em repeat. Lentamente, contra a correria. Smooth Operator. Sweetest Taboo. Tudo com muito ritmo e muito veludo e muito sentimento. “Sentiment”. Saxofone também.

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Saudades (o mundo inteiro)

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infinity

Do caos das cidades, das paredes dos museus, dos jardins da Gulbenkian, dos jacarandás de Évora, das pontes, dos arcos, das arcadas, dos areais, dos concertos em particular e de todas as aglomerações de gente em geral, das salas de cinema, das pistas de dança,

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Domingo

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Sobre as tábuas de madeira há pelo menos 17 sobremesas. Por cima da mesa, no jardim, uma vela de navio coa a luz. As luzes, as vozes, ouvem-se três quarteirões mais abaixo, na esquina da rua das lojas.

É preciso ser-se um bocadinho louco.

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Eclipse

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Na noite do eclipse, as palmeiras agitavam-se como belas adormecidas, negras contra a noite roxa. Era preciso dar um mergulho na escuridão.

Então entra no cinema, cheio de cadeiras vazias, e ocupa um lugar mesmo ao centro, talvez para compensar o facto de ser algo dada a extremos.

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Sorte

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Na casa havia um baloiço, preso por duas cordas debaixo de um arco ogival. A casa tinha paredes descascadas, janelas altivas, trepadeiras galgando as paredes, verdes, viçosas, por baixo a tinta rosa como champagne.

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O intruso

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Vocês ouvem alguma coisa? disse

Tratando-a com uma distância marcial, como se trata uma princesa.

Eis o teu quarto.

Toalha.

Chão.

 

E este banco japonês?

Alguém ouviu alguma coisa?

Pareceu-me ouvir, sim, sim

Mão em concha, atrás da orelha.

Não, afinal não era nada.

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Nuvem

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Todos os dias, o Senhor Flo subia as escadas do prédio onde vivia, vários lanços em passadas alegres e confiantes, leves como assobios, e chegando ao topo, com a respiração amplamente controlada, retirava do bolso o seu cachimbo.

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Barbatana

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Melville sabia tudo sobre baleias.

A sua obsessão foi um tesouro.

Foi a partir dela que escreveu mais de 600 páginas sobre um monstro marinho que poucos homens viram de perto.

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Perto

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Era uma vez um rond-point* Milanês.

E ali havia um bar que se enchia de gente uma vez por ano. O resto do tempo era um bar de bairro, onde paravam velhos distraídos, comerciais nervosos, mulheres que pintam o cabelo, crianças birrentas a puxar as calças dos pais.

Faziam-se apéritifs democráticos.

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