Arábias

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Revi um filme de Jean Rouch que mete girafas e carros, e voltei a Nova Iorque, para onde esta clausura me tem levado algumas vezes sem eu pedir. É espantosa a capacidade que temos de desaparecer, escorregando para outros lugares e outros tempos, de olhos bem abertos, sem sair do sofá. Noutra altura diria: quero viver aqui e agora. Acontece que o confinamento tem uma elasticidade surpreendente e neste aqui, agora mesmo, cabem uma data de coisas felizes memoráveis irrepetíveis esplendorosas e banalíssimas até.

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Barriga

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Narizinho nasceu num dia lindo, logo pela fresca para aproveitar todas as horas que tinha pela frente nesse primeiro dia, não as 24 porque foi pelas oito que pela primeira vez viu o mundo, oito e vinte e um para ser mais precisa,

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Tremor

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Conheci um homem que amava montanhas. Escalava-as, enfrentando perigos e acasos, e quando atingia o cume, sentava-se numa pedra mais amena e contemplava a vastidão, como se para além do espaço, tivesse todo o tempo a seus pés. Depois, pensava em regressar a casa, mesmo que no seu espírito esse espaço não tivesse contornos bem definidos ou lugar onde pousar.

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A caça

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Um dia como os outros, levanto-me, tomo banho, atravesso a casa, entro na sala e pergunto às crias se já tomaram o pequeno-almoço. Já estão com as cabeças mergulhadas nos telemóveis, meus queridos avestruzes, e respondem sim, sim.

Faço um café, não como mais nada porque já não é propriamente cedo e é preciso sair.

Hoje vou à caça.

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Mergulho

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Aquela praia era o paraíso. Mas tinha um problema: o Sol punha-se demasiado cedo. A água também era um problema. Demasiado fria. Sol apressado, água gelada, não é a melhor combinação, não fosse aquela praia o paraíso, e ao paraíso desculpa-se tudo.

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